É a escola a única instância educadora na sociedade contemporânea? É legítimo impor a toda a sociedade um único modelo educacional? Em pleno século XXI, é impossível pensar alternativas sérias ao modelo escolar? O que estão fazendo aqueles que tiveram a coragem de educar seus filhos fora da escola? Como pensar e implementar um processo sustentável de educação fora da escola?

Estas e muitas outras perguntas tem neste blog um espaço para construir respostas. Educar os filhos na sociedade do conhecimento é um desafio que supera de longe o modelo escolar...é urgente dedicar-nos coletivamente a consolidar essas alternativas.

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sábado, 21 de janeiro de 2012

Esclare(ser) para aprender



Ir além do currículo.

O ensino tradicional coloca nossos filhos dentro da grande máquina do CURRICULO OCULTO (ver: http://aprendersemescola.blogspot.com/2009/01/emburrecendo-nos-cada-vez-mais.html. Um circuito vicioso no qual milhões de crianças são mutiladas intelectual e espiritualmente todos os dias.

Vamos pensar juntos um outro paradigma. Um circuito virtuoso que nos permita esclarecer-nos sobre o nosso papel na educação dos nossos filhos:

1a.  Tudo que aprendo tem um contexto.

Tudo está em relação com tudo. Cada partícula, cada elemento, cada átomo do cosmos, cada pensamento, cada ação, cada conceito, o tema, cada pessoa,  estão em relação...com tudo. Para entender algo, alguém, preciso entender o seu contexto, suas relações. Por tanto, aprender é apreender conexões, redes de processos, redes de pessoas, diálogos. Aprender é aprender mapas de localização, todo aprender implica uma geografia...Aprender é localizar-se no tempo, implica ir na história. 

2a. A disciplina que importa é a do conhecimento.

Aprender exige aprender uma certa disciplina. Temos que aprender como se joga o jogo do conhecimento. Suas regras, suas estratégias, seus métodos, suas possibilidades, seus limites. É o jogo epistemológico o que interessa. Todo campo de conhecimento exige um aprendizado. Só se torna engenheiro aquele que  de tanto intentá-lo termina aprendendo a ser engenheiro. Agora sua postura, sua linguagem, suas respostas são de engenheiro.   Igual ocorre com qualquer outro campo do conhecimento, a ciência, a arte, a filosofia. Em todo o aprendiz  aprende um ethos específico.

3a.  Encontrar a própria singularidade.

Um aprendiz de verdade, aprende a ser ele mesmo. Ele alcança um estado de ser no qual consegue expressar-se de maneira íntima e íntegra. O aprendiz se esculpe. Descobre seu melhor tom. Cria sua forma única de ser original. Se torna um autor. É nesse momento que vai conseguir ser genuíno no dialogo com o mundo.

4a.  Quando aprendo...algo se completa.

Quem aprende caminha da parte ao todo e do todo à parte e vice-versa. O aprendiz contempla o objeto do seu interesse o tempo suficiente para que este se complete dentro de si. Ele é ativo no ato de contemplar, avança até alcançar a compreensão maior, o esclarecimento. Mantém o interesse até alcançar a satisfação plena. Como um estrangeiro, o aprendiz, insiste até compreender completamente a linguagem daquilo que deseja aprender. Se torna um nativo no que sabe. Manter a atenção no que desejamos aprender já é um sinal de aprendizagem.

5a. Moral , emocional e intelectualmente autônomos.

Aprender é alcançar a possibilidade de escolher. Aprende a perceber o limite de toda verdade, de toda teoria, de toda doutrina ou ideologia, de todo paradigma. É livre para aceitar, rejeitar, combinar, mudar de opinião, comprometer-se ou não. Livre para crer e deixar de crer.  O panorama do que ignora  é  um motivo de alegria, pois sabe que ainda tem uma caminhada infinita para realizar. Da incerteza, do erro, o aprendiz, sempre tira novas lições. Assim aprender é construir um parâmetro consistente da nossa própria ignorância. O significado fundamental de tudo é o que nos aprendemos a dar a todas as coisas no universo.



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