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É a escola a única instância educadora na sociedade contemporânea? É legítimo impor a toda a sociedade um único modelo educacional? Em pleno século XXI, é impossível pensar alternativas sérias ao modelo escolar? O que estão fazendo aqueles que tiveram a coragem de educar seus filhos fora da escola? Como pensar e implementar um processo sustentável de educação fora da escola?

Estas e muitas outras perguntas tem neste blog um espaço para construir respostas. Educar os filhos na sociedade do conhecimento é um desafio que supera de longe o modelo escolar...é urgente dedicar-nos coletivamente a consolidar essas alternativas.
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sexta-feira, 23 de março de 2012

Uma rede de diálogos para pensar e fazer a desescolarização


No começo foi assim, um casal de pais decidiram retirar seus filhos da escola. Não sabiam como fazer isso. Apenas sabiam que não era possível continuar acreditando num sistema escolar anacrônico incapaz de mudar. Então foram inventando cada dia a forma de fazer que a educação dos seus filhos tomasse um rumo diferente.

Com o tempo, eles foram descobrindo que existiam outras famílias fazendo o mesmo. Cada um de um jeito diferente. Cada uma em segredo, para evitar a completa falta de compreensão que sair do aquário implica para a maioria.

Cada familia foi ganhando um saber, descobrindo possibilidades, surpreendendo-se com os resultados, aprendendo com cada movimento.

Alguns começaram a se aventurar e escreveram e publicaram essas experiências. Fizeram um blog aqui, outro ali. Quase sempre com um sentido de mundo que se inaugura.

Mas, foram aparecendo mais e mais expressões. Mais e mais experiências familiares foram sendo contadas e compartilhadas.  O que estava oculto foi ficando ao descoberto: uma quantidade cada vez maior de famílias estavam vivendo a educação dos filhos fora da escola. Muitas outras começaram a observar esses processos com curiosidade ao ver as diferenças.

De um ato solitário, pouco a pouco foi se tornando uma experiência compartilhada. Coletiva.  Agora, essas famílias, esses pioneiros estão, encontrando-se, somando-se, criando nexos. Estão fazendo rede.



Uma rede que permita comunicar idéias, eventos, conhecimentos, diálogos, experiências, desejos, saberes, uma rede de famílias que educam seus filhos fora da escola!!!!

E assim, foi que ontem a noite, tivemos por primeira vez um encontro virtual  de blogueiros  sobre os temas da educação domiciliar e a desescolarização.   Muita riqueza compartilhada, muita saudade de esses outros com os quais vivemos os mesmos sonhos. Veja aqui alguns desses espaços de construção de conhecimento, faça click sobre cada um de estes links:

Por uma aprendizagem natural     Educação de Crianças  Centro de Apoio a Educação Familiar.


ANED   Desescolarizar

 Claro que tem mais gente produzindo conhecimento e deixando um recado para quem quer acreditar que é possível viver uma outra educação:

Aprendizagem Espontánea  Vida Ativa  Blogs en español


A idéia é começar a fortalecer essa rede. Para isso, temos que conseguir que milhares de famílias, de estudantes, de interessados, de pensadores da educação,  participem deste processo. O passo a seguir é criar uma comunidade no Facebook de maneira a ter um espaço compartilhado para continuar construindo nossa história.

Já existe por exemplo, uma plataforma Wiki no Centro de Apoio a Educação Familiar, onde é possível produzir colaborativamente muito conhecimento.

Vai...visita esses blogs, leia os artigos publicados, comente, proponha...e claro, se exponha!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O início de um diálogo

A professora Debora Maria Macedo  nos enviou o comentário abaixo. O postamos aqui, como um convite a que diálogos como este sejam fonte de inspiração e de construção coletiva. Também postamos a resposta que lhe enviamos via e- mail:


Edilberto e Tatiana,

Sou professora (seja lá o que isso signifique) da rede municipal de ensino de São Paulo e percebo que há certa lógica na ideia de que o mundo parece estar fora das escolas. Concordo, SIM, que educação transcende a instituição ESCOLA e que qualquer lugar e qualquer momento são oportunidades de aprendizagem e que todos nós somos sujeitos nesse processo.

O post acima (O velho paradigma é a escola) está recheado de temas para reflexão, mas de alguma maneira temos que começar:

“O que estão fazendo aqueles que tiveram coragem de educar seus filhos fora da escola?”

Tenho muita curiosidade nesse sentido. Quem são essas pessoas? Como “ganham suas vidas”? A que esfera social pertencem? Como fazem dar certo? E, principalmente, o que seria esse “dar certo” em uma perspectiva “desinstitucionalizada”?

Peço que me ajudem nessa reflexão, pois, profissionalmente, estou imersa no seguinte recorte de realidade: uma escola pública com grande número de alunos, dentro de uma comunidade bastante carente; com salas superlotadas, mas com alunos frequentes em função dos mais diversos mecanismos de garantia de acesso e permanência (bolsas, leite, alimentação...); famílias com as mais diversas formações que englobam indivíduos que desempenham papeis sociais diversos dos tradicionais “pai” e “mãe” (na maioria das vezes são tios, avós, primos, padrinhos, irmãos mais velhos que se responsabilizam pelos estudantes); estudantes que, por vezes, encontram na escola um refúgio de uma realidade muito pior que a “reclusão escolar”.

Penso de que maneira desinstitucionalização poderia atuar nesse recorte de realidade. 



A resposta:


Estimada Professora Débora,

Você fez as perguntas certas. É para essa realidade que temos que voltar-nos. Porque essa  é a realidade de milhões de crianças no Brasil e no mundo. E também de milhões de professores e de pais de família. O consenso cresce nesse sentido. O modelo escolar não consegue cumprir o que promete. A sociedade como um todo não recebe o que precisa das instituições educativas, em nenhum nível. E o mundo depende cada vez mais de pessoas capazes de responder à complexidade dos atuais problemas sociais, econômicos, políticos, ambientais, etc.  Nem mesmo em nível pessoal, as instituições respondem às demandas dos indivíduos. Não sabemos viver. Somos confusos, desarticulados, somos insustentáveis, como pessoas e como coletividades. 

Assim como o sistema econômico dominante não responde mais aos desafios do nosso tempo histórico, nem o sistema político responde mais aos anseios democráticos das populações, a escola, como locus do sistema educacional, não consegue responder às necessidades instrucionais, formativas, informativas das novas gerações. Nem mesmo o modelo de família responde.

Diante da derrubada desses velhos paradigmas somos compelidos a fazer-nos uma vez mais as perguntas fundamentais e a tentar responde-las. Temos  que inventar um mundo novo. E para ele, ninguém tem as respostas definitivas. 

Por isso professora Débora a única resposta que temos é este convite ao diálogo, a criatividade, a invenção. Professores, pais, estudantes, empresários, gestores públicos, temos que reinventar a educação. Não apenas fazer um movimento de reforma escolar. Precisamos inventar novos paradigmas, mais ousados, mais criativos, antenados com o desenvolvimento científico e tecnológico. Antenados com a abundância de conhecimento que hoje é possível compartilhar e produzir. Antenados com as urgências do nosso mundo e o nosso planeta. 

Hoje podemos ir tocando esse diálogo sem a intermediação de instâncias de poder verticais. Se mais e mais atores participam desse dialogo horizontal , se mais e mais pessoas e grupos ousam viver e experimentar, si mais e mais coletivos ousam conectar-se, sem preconceito, sem jogo de poder, sem outro interesse que a nossa urgência de estar vivos e atuantes na nossa história, então teremos a chance de ir construindo essas respostas.

Propomos o seguinte: vamos fazer das suas perguntas para nós, perguntas para todos os que queiram participar desse diálogo, e vamos ir tocando esse diálogo amorosamente até ver como isso constrói opções de resposta, ver como isso ilumina processos e respostas em andamento.

Não estamos mais no tempo em que um especialista tinha a resposta única para um problema. Esse é o velho paradigma. Estamos diante a imensa porta da construção cooperativa das respostas.

Edilberto - Tatiana