É a escola a única instância educadora na sociedade contemporânea? É legítimo impor a toda a sociedade um único modelo educacional? Em pleno século XXI, é impossível pensar alternativas sérias ao modelo escolar? O que estão fazendo aqueles que tiveram a coragem de educar seus filhos fora da escola? Como pensar e implementar um processo sustentável de educação fora da escola?

Estas e muitas outras perguntas tem neste blog um espaço para construir respostas. Educar os filhos na sociedade do conhecimento é um desafio que supera de longe o modelo escolar...é urgente dedicar-nos coletivamente a consolidar essas alternativas.

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sexta-feira, 18 de maio de 2012

DEZ ESTRATÉGIAS DE PODER DO SISTEMA ESCOLAR






A propósito do artigo: Dez Estratégias de Manipulação para Manter o Público Alienado de Noam Chomski.
Se entendemos que O PODER, é tudo aquilo que se faz para retirar de um indivíduo ou uma coletividade sua autonomia, seu livre arbítrio, sua capacidade de definir-se, sua consciência, então temos aqui, algumas das estratégias de poder do sistema escolar vigente.

1 – A ESTRATÉGIA CONTEUDISTA
Algumas das conseqüências da estratégia conteudista na qual o estudante é bombardeado com um tanta informação  como seja possível, é que esse dilúvio informacional causa uma inundação mental fazendo com que se sinta cheio de uma multidão de informações insignificantes. Na medida em que nada do que passa no dia a dia da escola consegue  se tornar significativo  o estudante tende à distração.  Assim, termina por entender que o conhecimento como um todo é desinteressante.

Manter a atenção do estudante saturada com muita informação, deveres de casa e provas, faz com que ele se mantenha longe dos seus verdadeiros interesses de conhecimento.  Manter o  estudante ocupado permanentemente, sem nenhum tempo para pensar, o faz desistir dos seus interesses intelectuais e vocacionais.

2 – CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES
O método escolar  funciona a partir de três axiomas: Problema – Situação - Reação. Esse processo funciona assim:   través do qual cria-se um problema: por exemplo, a dificuldade de passar no vestibular de uma universidade pública de qualidade diante da oferta limitada de vagas. Se estabelece então uma "situação": a, suposta, necessidade de revisar enorme quantidade de matérias, apresentar inúmeras avaliações, cumprir horários, pagar mensalidades, com a finalidade de poder passar no vestibular, etc.). de maneira a gerar uma reação prevista no público: que este aceite silenciosamente as medidas que se deseja fazer aceitar e se submeta passivamente ao modelo educacional.

3 – A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que  ao longo de décadas o modelo escolar tem sido ampliado e implementado de maneira a: aumentar o número de horas de aula, aumentar o número de disciplinas, aumentar, o número de provas, incrementar a vigilância e o controle dos estudantes, aumentar o grau de obrigatoriedade do sistema, aumentar o número de anos, “incluir”no sistema crianças cada vez mais novas, melhor se menores de um ano de idade, etc.


4 – A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO
Outra maneira de se fazer aceitar  o modelo escolar vigente é a de apresentá-lo como sendo "difícil, porém  necessário", obtendo a aceitação pública, no momento, de maneira a obter uma situação desejável no futuro. É mais fácil aceitar o sacrifício imediato ao se ter em mente uma recompensa no futuro. Primeiro, porque o esforço deve ser realizado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "todo sacrifício hoje terá uma recompensa amanhã". A idéia de que a inclusão não ocorre no presente e se no futuro, como recompensa, passa a ser aceitável e assim o sistema passa a ser necessário. O sacrifício exigido não pode, em nenhum caso ser evitado. Isto faz que o público rejeite  qualquer idéia de mudança, qualquer visão que quebre os axiomas do paradigma vigente. Assim o mais aconselhável é a  resignação ao sistema.

5 – DIRIGIR A PAIS E ESTUDANTES UM DISCURO ABSOLUTAMENTE VERDDEIRO E INQUESTIONÁVEL.
Os discursos, argumentos, razões utilizados a favor do modelo escolar e dirigidos ao grande público são  apresentados como se fossem absolutamente verdadeiros e inquestionáveis.  Assim, se cria um consenso segundo o qual  o único lugar legítimo para uma criança é a escola. E qualquer outro lugar se torna suspeito. O mundo fora da escola vira um deserto educacional. Nem a família, nem a rua, nem a comunidade, nem o comércio, a industria, as instituições, nem mesmo a natureza, são cenários aptos para aprender. Se a escola é absolutamente verdadeira, então é também a única legítima. Assim fica excluída toda e qualquer outra possibilidade e cria-se um exército de crianças marchando unissonamente para a escola.

6 – UTILIZAR O ASPECTO LEGAL DE MANEIRA EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO
Fazer uso do aspecto legal de maneira emocional permite  diminuir as possibilidades de análise racional frente ao que é o sistema escolar.  Fica solapado desta maneira o direito à educação e  firmada a obrigatoriedade da escolarização.  Escolarizar e educar, se tornam sinônimos e a Lei está aí para garantir essa verdade. Termina por entender-se acriticamente que se a criança está na escola, seu direito à educação está automaticamente contemplado.  Então você se faz automaticamente responsável.  E a criança se entende incluída.


7 – MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer com que o público seja incapaz de compreender como o sistema escolar é uma tecnologia utilizadas para seu controle e sua escravidão.  Na teoria e no discurso, o sistema escolar é equitativo, democrático e de qualidade. Porém, a qualidade da educação difere de acordo com a classe social. Para classes de baixa renda é mais pobre e medíocre, de forma que as possibilidades de inclusão são menores para elas que para as classes ricas. Assim, a equidade não passa de uma fantasia.  Embora, tanto ricos e pobres terminem vivendo alienadamente.

8 – ESTIMULAR OS ESTUDANTES A SER COMPLACENTES COM A MEDIOCRIDADE
O sistema escolar termina por promover  e legitimar a mediocridade ao vincular aprendizado com avaliação.  Se é suficiente passar nas provas, é isso que os estudantes se esforçam por fazer. É como um jogo de vídeo-game, é só persistir que logo o player vai encontrar o jeito de passar ao estágio seguinte. Se é o suficiente e o que todo mundo esperava...então não há motivo para saber mais, conhecer mais, ler mais a respeito de absolutamente nada.  Para passar provas é suficiente ter resumos. Basta ler e memorizar os resumos. Então para que ler livros? Tudo mais, não da o tempo para ler livros! Ou pior, quem Le livros passa por bobão, é chamado de nerd!


9 – REFORÇAR A AUTOCULPABILIDADE
Fazer os pais e os estudantes acreditar que são eles os culpados pelos baixos rendimentos, pelo desinteresse, pela falta de aprendizado. A própria desgraça é causada pela insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema escolar, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não se faz necessário criar outros paradigmas de educação.

10- DESLEGITIMAR TODO CONHECIMENTO QUE NÃO TENHA TRÂNSITO DENTRO DO SISTEMA ESCOLAR
Convencer à população de que o único conhecimento válido só pode ser adquirido na escola e pela ação dos professores e dos textos escolares.  Que os únicos conhecimentos necessários são os  oferecidos dentro da escola. Convencer a população de que no futuro o único conhecimento necessário será o aprendido no sistema escolar. Que tudo o mais, os saberes dos pais, da comunidade, da cidade, são ou desnecessários, ou desatualizados, ou falsos, ou insuficientes, ou perigosos. Destituir de conhecimento a toda pessoa que não tenha titulo de professor ou que não tenha passado pela universidade. Destituir de conhecimento à própria criança. Dizer que ela é ignorante. Convencer a população de que o único caminho legítimo para o conhecimento é a escola, o colégio, a universidade. Que o único conhecimento verdadeiro é o científico.   Se trata de que o individuo desconfie do que ele pensa e sabe, que a comunidade desconfie do que sabe e passem a confiar absolutamente no que pode aprender dentro do sistema escolar. Se trata de esvaziar os indivíduos dos seus meios de adquirir conhecimento e fazer que aceitem a necessidade de submissão ao sistema escolar. Esse é o meio de exercer um controle maior  sobre os indivíduos do que os indivíduos  e as comunidades sobre si mesmos.


2 comentários:

  1. Concordo plenamente , mas infelizmene é um mal necessário a todos !

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  2. Mônica...não existe mal necessário a todos. Por que aceitar isso é como aceitar que a escravidão é necessária, por tanto nada teríamos a pensar nem a fazer. O que é necessário a todos é a educação, e a liberdade de aprendizagem, e o desenvolvimento das nossas habilidades, competências e vocações...e tudo isso passa por outros caminhos diferentes da escolarização. O que temos é que reivindicar a liberdade de escolha para poder trilhar esses caminhos com legitimidade...isso é urgente e sim, um direito profundo.

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