É a escola a única instância educadora na sociedade contemporânea? É legítimo impor a toda a sociedade um único modelo educacional? Em pleno século XXI, é impossível pensar alternativas sérias ao modelo escolar? O que estão fazendo aqueles que tiveram a coragem de educar seus filhos fora da escola? Como pensar e implementar um processo sustentável de educação fora da escola?

Estas e muitas outras perguntas tem neste blog um espaço para construir respostas. Educar os filhos na sociedade do conhecimento é um desafio que supera de longe o modelo escolar...é urgente dedicar-nos coletivamente a consolidar essas alternativas.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cómo optamos por educar fuera de la escuela

Rafael, nosso filho mais velho, cursava o 5 ano numa escola que ajudamos a criar. Essa escola foi uma resposta à procura que iniciamos quando nos fizemos a pergunta que todo pai e mãe se fazem: e agora, como vai ser educado o nosso filho? E, claro, como todos, nós queríamos a melhor alternativa.  E quando olhávamos para as ofertas existentes no vasto mercado da educação, tanto de escolas públicas como de escolas privadas, não encontrávamos nada que se aproximasse das nossas expectativas.

Não tínhamos notícia nem conhecimento da possibilidade de educar os filhos fora da escola. Então procuramos uma escola. Queríamos uma escola que  olhasse para ele na sua singularidade. Na sua humanidade. Na sua condição de criança. E tudo que encontrava-mos era instituições equipadas para que ele se desse bem no vestibular, preocupadas com sua capacidade de competir, com dispositivos para que aprendesse a ler e escrever muito rápido, com muitos deveres de casa e uma firme disciplina.  Controles, muitos controles. E era assim, tanto nas escolas ditas construtivistas como nas outras, as que se dizem freirianas, que na verdade são apenas comportamentalistas. E claro em todas a promessa de muito...muito conteúdo.

De tanto andar pela cidade terminamos por encontrar uma escola fora do padrão. Era uma escola localizada dentro da Universidade da Paz, chamada, Casa do Sol.  Oferecia um projeto pedagógico fundamentado na Antroposofia de Rudolf Stainer, a pedagogia Waldorf. Algumas coisas nos seduziram: 1- uma escola com um projeto pedagógico com fundamento humanista; 2- a equipe de professores era competente na prática do que predicava na teoria; 3- as práticas cotidianas, os rituais de cada dia, colocavam a criança no centro das atenções de cada professor; 4- a escola era numa área verde com cachoeira e muitas árvores, 5- se ocupavam da aprendizagem e não do conteúdo; 6- sendo uma escola comunitária, os pais participávamos muito de todo o processo.

Já era o bastante. Devo reconhecer que fomos felizes na nossa escolha. Lamentavelmente, a Uni Paz, por razões que desconheço, fechou a escola.  Foi quando nasceu a atual Escola Moara, que segue os mesmos parâmetros. E pra lá foi o Rafael a continuar seus estudos. Durante alguns meses, por conta da distância ele foi parar numa escola mais perto de casa, uma escola construtivista.  Logo ele mesmo não agüentava mais as tensões típicas das escolas tradicionais: um excesso de competição entre as crianças, um excesso de controle por parte dos professores, uma escola fechada sobre si mesma sem contato com a natureza, horários próprios de uma fábrica e ainda onde o recreio era apenas no último horário, que era porque os meninos ficavam impossíveis depois dos recreios.

De volta a Moara, o Rafa foi crescendo. Porém na medida que avançava foi sentido o desconforto. A escola parecia voltada para as criancinhas mais perdia o rumo quando estas se transformavam em meninos e meninas transitando para a adolescência. As professoras eram desafiadas por esses rapazes e elas não tinham, dentro dos moldes da pedagogia Waldorf, uma resposta para o momento que eles viviam. De repente se tornou mais uma escola comportamentalista. Queriam encontrar regras que os detivessem, que os obrigassem a ficar quietos, coisas típicas, castigos, cadeados na porta, bilhetes para casa, etc, etc. Assim, as relações entre os estudantes se deterioraram e as relações entre estes e os professores chegaram a um estado realmente crítico. A escola encontrou uma solução: não abriu o sexto ano. Os meninos e meninas foram lançados ao mundo das escolas tradicionais.  Nós ficamos diante de uma porta: não ir pra escola alguma!!! Foi assim que tudo começou.

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